Cachorro e homem

Posted by:

Outro dia, caminhava por uma grande avenida, onde os imóveis são muito caros, quando vi uma enorme construção em seu início. Fiquei curioso e imaginei que ali seria um edifício de apartamentos. Perguntando ao porteiro, para minha surpresa, fui informado que seria um pet shop, com amplo tratamento veterinário. Comentei com ele: acho que nunca construiriam um hospital para humanos neste local. Parece que os cachorros estão sendo melhor tratados que nós humanos. O porteiro da obra concordou.

Continuando a caminhada, em razão desse acontecimento, comecei a pensar no ser humano e no cachorro, sem nenhuma maldade ou crítica, mas fazendo uma constatação.

Nestes tempos de confusões de ideias engendradas pelo ser humano, pensei no seguinte: o filhote do cachorro, quando está no ventre da cachorra, é um cachorrinho e poderá nascer fêmea ou macho. Como a natureza os criou. Nenhuma dúvida para ninguém. Nem para os animais nem para os humanos. Nenhum cachorro vira cachorra depois que nasce, ou vice-versa.  E, raramente, ou nunca, algum humano abrirá a barriga da cachorra para abortar os cachorrinhos e jogá-los no lixo. Inclusive, é crime maltratar os animais, silvestres, domésticos ou domesticados.    A Lei Federal n° 9.605, de 1998, conhecida como Lei dos Crimes Ambientais (LCA), estabeleceu punições para os seres humanos que maltratarem os animais. Determina a lei:

“Art. 32. Praticar ato de abuso,  maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

  • 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
  • 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal”.

 

O comando legal impede qualquer tipo de maltrato aos animais. Abortar os cachorrinhos e jogá-los no esgoto é crime.

 

No nosso caso, dos humanos, a situação me parece bastante diferente. Para pior:  estão querendo nos transformar em algo absolutamente disforme, desde a nossa concepção. Vejamos as propostas de grupos de militantes contra os seres humanos:

1 – querem liberar o nosso assassinato – aborto – até o terceiro mês de gravidez; ou seja, seremos retirados do útero de nossas mães e descartados nos esgotos ou nos lixos hospitalares;

2 – a partir do quarto mês até o nono, ou data do nascimento, seremos, talvez, bebês sem sexo, ou seja, não somos do sexo feminino ou masculino; alguma coisa sem forma e diferente da definição dada pela natureza, como o cachorrinho e a cachorrinha;

3 – depois do nascimento, continuaremos sem sexo – ideologia do gênero –  para escolhermos o que seremos no futuro. Quem nasceu mulher pode escolher ser homem e quem nasceu homem pode escolher ser mulher, ou, ainda, não ter sexo nenhum!!! A maioria sem mudar o formato do corpo de homem ou mulher.

4 – querem que substituamos as formas dos nossos corpos, dadas pela natureza, por sentimento ou “afetividade”.  A afetividade suplantará o formato do corpo. Até se permite  homem casar com homem, mulher com mulher, caindo a proibição da música de Tim Maia “só não vale homem com homem, nem mulher com mulher”.  E, também, distorcendo a regra da Constituição Federal, prevista no artigo 226, § 3º:

 

“Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

  • 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.

 

Nós, da comunidade jurídica, somos responsáveis por alimentar essas construções de ideias humanas esquisitas. De mudar a natureza através de decisões judiciais.

O uso da afetividade para fundamentar decisões judiciais, em nossa opinião é um risco. Começa-se a permitir homem com homem, mulher com mulher; depois, exagerando, poderemos imaginar “casamentos” de pessoas com cachorros, gatos, papagaios e outros.

Pergunta-se: não seria melhor respeitar as regras da natureza, como no caso do cachorrinho e da cachorrinha, para os humanos também?

Por João Carlos Biagini, católico, sênior da Advocacia Biagini (1984), membro da UJUCASP – União de Juristas Católicos de São Paulo  e autor do livro “Aborto, cristãos e o ativismo do STF”.

0

Add a Comment