Pior que tá, fica

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Em novembro de 2010, escrevi um artigo com o título “Tiririca e o golpe contra os eleitores”, que ajustaremos para a atualidade, explicando a eleição de Tiririca e mais quatro deputados com os votos que ele conseguiu.  Até um deputado do PT foi eleito.  Dizia eu:

Há várias notícias sobre a eleição de Tiririca, para a vaga de deputado federal por São Paulo. Noticiam que ele não sabe ler e escrever, que ele falsificou a declaração que apresentou para a Justiça Eleitoral, que está sendo perseguido porque é pobre e outras bobagens.

Não falam do essencial: que a legislação possibilita um golpe nos eleitores, que votam num candidato e elegem outros. Consiste no seguinte: quando votamos nos deputados estaduais e federais, os votos válidos de todos os candidatos são somados, incluindo os votos de legenda.

Por exemplo: para eleger um deputado são necessários duzentos mil votos. Se nenhum candidato atingiu esse total, mas o partido teve um milhão de votos – somando todos os outros candidatos juntos mais os votos da legenda – , serão eleitos cinco deputados, com quantias de votos bastante inferiores a 200 mil.  Por exemplo: se o mais votado teve cinquenta mil, ele será o primeiro eleito. E, assim, abaixo dele serão eleitos os outros quatro.  Pode acontecer o contrário, algum candidato ter um volume enorme de votos, como o Tiririca, um milhão e trezentos mil. Seguindo o exemplo, nesse caso o candidato elege os outros 4 com votações muito menores que a dele.  

O que os partidos fazem? Cada partido inscreve candidatos com nomes famosos para elegerem outros candidatos com a sobra votos. No caso de Tiririca, quem votou nele elegeu outros quatro candidatos, cada um com a quantidade bem menor de votos, infinitamente menor. O fato concreto é que foi aplicada uma espécie de golpe eleitoral. Se o Tiririca não tivesse tantos votos, os quatro candidatos que ele arrastou com a sobra de seus votos não seriam eleitos.

Em 2010, causava espanto Tiririca eleger mais dois deputados com os 1.353.766 votos obtidos dos eleitores,  que protestavam ou não.  Para eleger-se, ele usava o bordão “Vote no Tiririca, pior que tá não fica”. Em 2014, teve 1.016.796 votos prometendo lutar pelas bandeiras dos cornos, das raparigas e até plagiou o cantor Roberto Carlos.

No final de 2017, fez um discurso inflamado de despedida da Câmara Federal dizendo que abandonaria a política porque não gostou da experiência de 8 anos. 8 anos!

Ele se elegeu na primeira vez, dizendo que não sabia o que um deputado fazia, mas depois ele contaria. Elegeu-se a segunda vez, dizendo que defenderia todas as bandeiras, inclusive a dos cornos, das raparigas e qualquer uma. Porém, abandonou o mandato em 2017 antes de terminar o tempo.

Para surpresa de todos, eis que retorna nestas eleições dizendo que enganou os eleitores e pedindo que votem novamente nele: “Eu enganei vocês, eu voltei.”

Os cálculos para a eleição de deputados estaduais e federais permaneceram iguais.  Muitos projetos foram apresentados, para o voto distrital, voto distrital misto, mas somente o financiamento público das eleições foi aprovado. Estamos pagando para os candidatos fazerem propaganda para nós votarmos neles. É curiosa essa situação.

Pergunto: quem elegeu os políticos que aí estão?  Eu, você, nós todos. Hoje, grande parte da população reclama dos políticos.  Os políticos não se elegeram sozinhos. Nós sabemos que os rumos da Nação dependem das nossas escolhas, nós eleitores de cada Estado brasileiro.  Se nós os escolhermos bem, os nossos eleitos nos representarão bem.  .

Tiririca está dizendo em 2018 que enganou a todos; em 2014 disse que representava os cornos e as raparigas, e em 2010 dizia que “pior que tá não fica”.

As escolhas que fizemos não foram boas e repercutiram diretamente nas nossas vidas.

Ficou tudo muito pior!

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